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domingo, 25 de agosto de 2013

Critérios

Tudo é uma questão de critérios.

Eu não viveria em Cuba, acho que não me adaptaria fui acostumada ao ritmo capitalista, mas ainda sim, tenho os meus critérios.
Nunca pensei em fazer medicina, nunca foi meu sonho de criança, como a maioria delas (pelo menos na minha época tinha zilhões de crianças que queriam ser médicas).
Mas uma coisa sempre soube sobre os médicos, eles podem salvar vidas e vida é uma coisa importante. Sempre soube também que, não importa o que você faça, se você se propôs a fazê-lo, faça com perfeição, há não ser raras exceções ninguém lhe obriga a acordar todo dia para fazer seu trabalho, esporte com uma arma na cabeça, você pode escolher. E um médico escolheu salvar vidas. Sabemos que não é bem isso que acontece e anda acontecendo com muita frequência no Brasil. Profissões que são motivos de orgulho estão sendo ocupadas por pessoas que não querem esse tipo de status de heróis, e sim uma remuneração alta como é merecida para todo herói, porém sem o esforço.
Sabemos as condições precárias que professores, médicos, policiais, bombeiros enfrentam, mas sabemos que muitos "profissionais" que exercem hoje essas profissões honradas estão poucos se fudendo se lixando para isso, eles querem receber o deles.
Em todo meu ensino, assim como as aulas são dadas hoje, era uma droga, porém tive professores que sem um giz na mão me ensinaram mais do que se houvesse todo equipamento moderno de vídeo e acesso a internet e bibliotecas virtuais, porque sei que eles estavam ali cumprindo o dever do educador, porque gostavam do que estavam fazendo e faziam com perfeição, assim como cansei de ouvir a frase de outros: "o meu vai vir final do mês, vocês que corram atrás".
Assim é com policiais que entram em milícias, aqueles que veem os amigos sem cinto de segurança e os deixam passar com um sorrisinho, ou que abordam menininhas bonitas, mas que gostam de perturbar quem eles "não vão com a cara", os que jogam spray de pimenta em cachorros na rua.
Assim é com o caso dos médicos cubanos, saibam que não é só no Brasil que eles são referências, existem muitos trabalhando na Europa, nos Estados Unidos, não é pelo dinheiro, ou como a frase que pegou com as manifestações "não é só por R$0,20" é porque eles trabalham para honrar a profissão escolhida por eles, porque eles cuidam de pessoas, eles não cuidam de maquinas, onde aí sim, o funcionário da fábrica pode parar deixar de atendê-las com razão para melhorar suas condições... mas médicos lidam com VIDAS.
É óbvio, os médicos daqui tem que lutar por seus direitos, mas não esquecer que lidam com vidas, e vidas dependem de atenção, denunciem os desvios de verba, publiquem as más condições que trabalham, mas ficar de mimimi quando se recusam a trabalhar em áreas remotas, ou apenas olhar para uma vida e fazer diagnósticos para terminar logo sua jornada, não trás honra nem razão.
Ocorreu certa vez comigo e minha família, eu tinha 6 anos, comecei a sentir dores fortes na barriga, meus pais me levaram no primeiro posto, apesar da pouca idade eu me recordo bem, o médico me olhou (apenas me olhou) e foi receitando um soro para virose, no outro dia as dores pioraram, fomos em outro posto e o mesmo procedimento, no terceiro dia me levaram para um hospital maior na região, ainda era público, o médico me olhou, perguntou tudo o que eu sentia, há quanto tempo, tocou a mão na minha barriga, e logo me mandou para cirurgia, era apêndice, havia suporado. Segundo minha mãe, ele até chamou ela e o meu pai de loucos, pela demora ao buscar um médico, depois eles explicaram a saga que foi até essa conclusão. Nesse caso o médico não usou nenhum aparelho eletrônico para diagnosticar, apenas o aparelho que ele tinha à mãos... a própria mão e o conhecimento de estudo.
Bienvenidos Cubanos, tragam um pouco de humanidade para nossos hospitais. Fora que, resolvido os problemas com de mão de obra, as outras coisas terão que funcionar também.

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